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IMPRESSÕES DE VIAGEM
ALASKA - A Última Fronteira dos Estados Unidos
Selvagem, agreste, bonito, surpreendente a cada momento, estes
são os adjetivos que melhor descrevem esta parte do globo
terreste, e que de tão especial tem dois slogans: A Última
Fronteira (dos Estdos Unidos) e Terra do Sol da Meia-noite.
Comprado da União Soviética por um punhado de tostões
no século passado, o Alaska é quase natureza pura.
Com uma variação média na temperatura que
vai de 28ºC a -23ºC, a melhor época para ser
visitado é de maio a metade de setembro, período
que chove um pouco, mas o sol derrete a neve que se conserva apenas
no topo das cordilheiras.
Anchorage - a maior cidade - serve de base para dois dos mais
interessantes passeios de barco ao sul: Prince William Sound,
que, além de animais, proporciona a visão incrível
das geleiras; e o Kenai Fjords, com suas muitas ilhotas e espécies
animais como baleias, leões-marinhos, "condomínios"
de gaivotas e os adoráveis Puffins, um passáro tão
exótico e bonito, quanto pequeno.
Para visitar Kenai Fjords você precisa ir a Seward; e Whittier
dá acesso a Prince William (uma cidade de aproximadamente
275 habitantes e todos moram no único prédio residencial
existente desde um grande terremoto). O trajeto para ambas cidadezinhas
pode ser de trem ou carro, e o caminho tortuoso cercado de lagos
e montanhas nevadas, flores, geleiras menores e animais não
muito comuns aos turistas do Pólo Sul, proporciona excitação
por tanta beleza.
Como a maioria das cidades dos Estados Unidos, a vida noturna
começa e termina cedo; mas por ser curta, é vivida
intensamente e compartilhada por turistas e habitantes locais.
Pode-se optar por cervejarias tipo Dado Bier, uma fechada e agradável,
ou por outra com vista para o pôr-do-sol. Ambas surpreendentes
e memoráveis. Levando-se em conta o número de habitantes
de Anchorage, duas cervejarias com fabricação própria
num raio de 100m², é no mínimo algo de admirar.
Você se extasia com o interminável pôr-do-sol
que dura, pelo menos duas horas, e que parece não acabar,
pois nunca escurece de fato. O sol se põe finalmente, mas
no lugar fica uma faixa de luminosidade a noite inteira. Às
5h da manhã é dia completamente claro, mas o sol
só vai nascer mesmo depois das 6h. Quem quiser presenciar
o sol da meia-noite deve estar lá no dia 21 de junho para
o solstício de verão do Hemisfério Norte.
E, se há dois meses e meio de sol direto, tambám
é certo que haverá o mesmo período sem sol.
O restaurante Captain Cook, o edifício mais alto, propicia
aos visitantes boa comida e a vista excepcional de 360º da
cidade. É uma boa desculpa que permite unir coisas essenciais
ao homem como a sobrevivência pela alimentação
do corpo e da alma.
Indo para o norte você chega ao Denali Parque, cujo percurso
segere-se seja feito de trem. Muitas curvas, cidades ainda mais
minúsculas, paisagem bucólica, pontes muito altas,
paradas para fotos. Leva-se muito mais tempo, mas a beleza do
trajeto e o charme do antigo trem, compensam o investimento de
um tempo extra. Depois, existe viagem mais romântica do
que a de trem?
Já no Denali, procure hospedar-se dentro do Parque numa
log cabin - as graciosas cabanas de toras de Madeira, coisa muito
típica e charmosa do Alaska - que além de ser mais
cômodo, possibilita noites aconchegantes e inesquecíveis.
Para os amantes de hike, este é o lugar próprio
para o exercício de caminhada em local íngrime e
montanhoso, natureza quase intocada com ursos, mooses, muskox,
lobos, caribous e outros animais que circulam livremente por ali.
Para os menos audaciosos, há diversas opções
de passeios de ônibus com trechos divididos por milhas,
e o maior vai até a milha 66, ponto mais próximo
do qual se avistará, com sorte, o pico mais alto dos Estados
Unidos, o Mount Mckinley, em sua exuberância, todo nevado,
muitas vezes encoberto por densas nuvens.
Para a pequena aventura de cruzar o Círculo Polar Ártico,
já mais próximo ao Oceano Ártico, você
precisa ir ao coração do Alaska, Fairbanks. A cidade
é pequena e encantadora com suas muitas log cabin,. Se
tiver oportunidade, hospede-se num "bed and breakfast"
- uma espécie de pousada bem mais sofisticada - o mais
aconchegante que encontrar.
Para alcançar o Círculo, o ideal é ir num
pequeno avião para 19 pessoas e descer de microônibus,
um pacote que deve ser comprado com antecedência. Além
do divertido e simbólico ato de cruzar o Círculo
e o receber certificado de tal feito, você vai ter contato
com a cultura mais primitiva do Alaska, culminando com um picnic
a beira do Rio Yukon, histórico pela mineração
de ouro. E vai seguir de perto alguns quilômetros da pipeline,
o oleoduto que carrega petróleo do extremo norte ao extremo
sul desse estado, numa viagem total de 1.200km.
Um passeio pelos Rios Chena e Tanana, embora com o tradicional
toque do marketing turístico americano, é ainda
assim, imperdível, pois haverá a possibilidade de
ver, entre outras coisas, uma demonstração de slead
dog race, uma corrida de huskys, grande evento de competição
da região, e que você não terá oportunidade
de ver a real, a menos que queira enfrentar os muitos graus negativos
do inverno; o encontro das águas desses dois rios é
bastante semelhante ao que acontece com o Rio Amazonas e Negro.
Ainda em Fairbanks, dê uma olhada nas esculturas em gelo,
expostas numa câmara fria envidraçada e mantidas
a temperatura ambiente do inverno alaskiano. É uma maneira
muito interessante e bonita de apreciar o enrigelante frio de
lá.
Um outro show fica por conta da Aurora Boreal, luzes multicoloridas
que se movem no céu por conta deste fenômeno. No
verão quase não acontece, mas também não
é impossível. Não pense em ir ao Alaska para
ver esquimós e iglus, a menos que se embrenhe na neve mais
próxima ainda ao Pólo Norte para ver os remanescentes,
e, se quiser ver as geleiras gigantescas, só indo a Geleira
Colúmbia, o que ja não é tão comum.
Se você for um pescador convicto pode ir pescar no Oceano
Ártico e arriscar-se nas tempestades de neve de inverno
que acontecem naquela região; caso contrário, o
mais salutar é saborear o conhecido Salmon e o delicioso
Halibut num aconchegante restaurante, uma vez que constam de todos
os cardápios.
Um brunch, mistura de café da manhã e almoço
servido até as 2h da tarde, mais comumente aos domingos
- um hábito americano que todos visitantes acabam apreciando
- incluindo todas as especiarias e regado a champanhe, pode encerrar
sua estada com chave de ouro. Mesmo no verão prepare-se
com agasalhos quentes porque, fora da cabine aquecida dos barcos,
o frio pode ser grande; por terra, mar e ar, o Alaska oferece
opções para diversas atividades, principalmente
ao ar livre, e os apreciadores de fotografia devem levar muitos
filmes, o Alaska vale a pena.
Ah, e se você acredita em Papai Noel, pode visitar a casa
dele na cidade chamada Pólo Norte - mais uma invenção
do marketing, e há que se ver para crer, mas afinal, viva
a criança que existe dentro de cada um.
MARIA ISABEL MARTINS
Agosto/2001
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