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IMPRESSÕES DE VIAGEM
MEMPHIS
SURPREENDENTE E ENCANTADORA, FOREVER
Saindo de Carbondale, sul do estado de Illinis, nos dirigimos
para Memphis, Tenesse, cruzando, antes, os estados do Missouri
e Arkansas, com pequenas paradas permitindo relaxar do tempo dirigindo.
No caminho, muita vegetação seca ainda, mas ressurgindo
aos poucos em plena recuperação do inverno recente.
Antigas vilas e bairros residenciais apareciam aqui e ali em meio
a grandes fazendas. As construções antigas mostravam
a idade das cidades cheias de história da colonização.
Algumas no estilo colonial americano, outras com inspiração
vitoriana, algumas mostrando uma beleza singela, mas que muito
agradava aos olhos.
Margeando a estrada, às vezes víamos enormes plantações
começando a brotar e a mostrar o verde exuberante da vida;
outras vezes, somente a terra preparada para receber sementes
de milho, trigo ou soja.
Depois de 320 kilômetros rodados chegamos a Memphis, o verdadeiro
berço dos blues e da casa do Elvis Presley.
Nossa visita foi rápida e intensa. Começamos pela
antiga residência de Elvis Presley, adquirida por ele em
1957, e transformada em museu desde seu precoce falecimento, em
agosto de 1977, aos 42 anos de idade.
A mansão chamada Graceland, na frente com vasto gramado
e altas árvores, toda murada, guarda nos fundos o túmulo
deste símbolo maior do Rock 'n Roll. Um mito que assinalou
um período com este ritmo musical, e tem marcado muitas
gerações propiciando a seus seguidores imitações
e carreiras, por vezes, medíocres, se comparada ao próprio.
Elvis Presley é uma idéia, uma marca, uma lenda
e Graceland está lá para mostrar sua força,;
seus pertences, seu carro, seu avião chamado Lisa Marie,
em homenagem a sua filha. A casa, internamente, dizem ser de uma
decoração muito simples. Filas enormes para o ingresso
de visitação, e os fãs mais emotivos nao
escondem as lágrimas. Todo um comércio gira em torno
da marca Elvis, cujo faturamento já gerou mais dólares
do que ele havia feito em vida, e que foi muito.
Memphis respira Elvis Presley. E blues. O Teatro Orpheu onde ele
começou a se apresentar e a fazer os primeiros requebros,
a primeira gravadora, estátuas. Uma no centro da cidade
e outra no Centro de Informações Turísticas
junto ao Rio Mississipi, quase um museu pela variedade de peças
históricas como fotos da Tina Turner em começo de
carreira ao lado de muitos outros nomes famosos dos blues. Aí
também está a estátua do não menos
legendário B.B. King, que ao vivo pode ser assistido em
apresentações esporádicas no seu bar, que
leva o mesmo nome, em meio a Beale Street, reduto da vida noturna
naquela cidade.
Eu diria que é o menor espaço abrigando numerosos
bares, cafés e restaurantes temáticos, que fervilham
mesmo ao cair da noite. Beale Street é mais um pedaço
de história em Memphis e lá está o lugar,
exatamente, onde em épocas passadas, nasceram os blues,
esse ritmo saudavelmente gostoso. Saudável porque, diferente
do rock e alguns outros ritmos, permite ser apreciado sem a doideira
dos altos volumes. Sentar e assistir a uma apresentação
de bandas de blues, significa se entregar ao som tirado da guitarra
e da gaita de boca, e ao mesmo tempo poder comer e conversar com
os amigos (ou encantar-se sozinho), sem agredir seus ouvidos,
sem o frênesi da mente, mas com o êxtase da alma;
total eutimia. E eu que levei tantos anos para conhecer esse tipo
de música
Estranhamente, idos os anos, os blues evadiram o Tenessi e viraram
marca registrada de Chicago, mas isso é outra estória.
Ainda na Beale Street, encontram-se discos e toda sorte de lembranças
desses temas, alguns muito criativos e de bom gosto. Lojas de
decoração bizarra, colorido abundante, tudo ao rigor
da influência afro. Umas poucas quadras de puro deleite
dos olhos.
O tradicional é comer Barbecue Ribs acompanhado de baked
beans, steak fries e toast preparados no estilo southern. Esse
prato traduzido, é uma costeleta de porco de bom tamanho,
envolta em vários e deliciosos molhos e grelhada, mais
batata frita cortada em largas tiras e feijão adocicado,
temperado com outros tantos molhos e assado no forno. É
isso, vai ao forno. Depois de tantos deleites de outros orgãos,
o estômago agradece essa especial atenção.
Hummm
.. Fica a sugestão do Blues City Café
para tal façanha.
Memphis tem alguns prédios muito bonitos de antiga arquitetura,
tem o Rio Mississipi, tão importante que foi no desenvolvimento
da economia dos Estados Unidos em eras passadas, e passeios de
barco; tem também o Peabody Place - um amplo local de entretenimento
-, tem museus, tem trolley, tem natureza. Mas com a "energética"
presença do Elvis Presley e com um quarteirão de
intensa atividade cultural e musical, quem vai se importar com
o resto? Saia do tradicional e inclua Memphis no seu próximo
roteiro de viagem.
MARIA ISABEL MARTINS
Abr /2002
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